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sexta-feira, 19 de julho de 2013

As Dores

As Dores














Ao nascer do dia desabrocham as flores,

Amanhecem também contigo as tuas dores,

Convivência amarga sempre a te perturbar,

Simbiose maldita no teu corpo a gritar.





Existência constante, livre e sem medida,

As dores que martelam a tua própria vida,

Perenes, precisas, pesadas, perigosas,

Plantas intrusas no jardim das rosas.















Tuas causas variam e são imprecisas,

Quando chegas não falas, e nunca avisas,

Assombrosa, valente, age sem direção,

Invasora, implacável, bate sem distinção.





As tuas vitórias queremos falar,

Que remédio mais forte podemos te dar?

Enfraqueces os ossos, nervos e tendões,

E das almas roubas todas as emoções.




Tu serás encantada erva venenosa,

Inspiras para sempre a poesia e a prosa,

Espinhos pontiagudos que furam o ser,

Ó dor persistente tu fazes sofrer!












Michell Barros Maia.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

As Neoplasias

As Neoplasias











Violentas, sangrentas, malvadas sem cores,

Vêm as neoplasias trazendo as dores,

Destruindo os tecidos, os corpos, feições,

Intensas, e plenas em suas expressões.














Linfócitos param, cansados, em levas,

Macrófagos calam, morrendo nas trevas.

O sangue se rende em tuas psicoses,

espalhando os danos das tuas mitoses.












Gemidos, sussurros, lamentos dos sons,

Sentimentos pálidos, manchados nos tons,

Heranças macabras, corpos sem luz,

Feridas abertas cobertas de pus.














Por que tuas secreções são tão fedidas?

Por que tu resolves destruir as vidas?

Carcinomas malditos, trevas sem medidas,

Deletérias, disformes, tenazes, perdidas.
















Parasitas malditos, do todo, do nada,


energia cósmica abandonada.


Feitiços infames, células imorais,


Neoplasias cruéis, almas sem iguais!
















Barros Maia.






Comentário do Autor: Como está em moda no Brasil realizar protestos, isto é, protestar contra alguma coisa, resolvi protestar contra o CÂNCER (AS NEOPLASIAS), que estão tentando destruir as vidas dos meus pais, Geralda (C.A de Mama) e Waldeci (C.A na próstata e intestino). Como acredito muito em DEUS e na Sua Soberana vontade, continuo com muita FÉ, lutando contra essa doença, lado a lado com os meus pais!

terça-feira, 9 de julho de 2013

As Lembranças

As Lembranças











Magnéticas, loucas, mui assustadoras,


As lembranças que teimam perturbadoras.


Calafrios, suores febris a banhar,

O corpo cansado que vive a gritar.











Nas mentes põem fogo, abrem crateras,

Indomáveis lembranças, tais como as feras.

Ferindo, ativas, as células neuronais,

Abrindo as sinapses e genes letais.











Saudáveis, doentes, nascentes sem rios,


Ceramidas, cabelos dos mais longos fios,


Que enlaçam a cabeça enfeitam esplendor,


Na nuca, na cuca, na testa, onde for.












Mas será que um dia tu hás de partir?


Que armas tu temes em te destruir?


Será que tu vives envolta em 

mistério?


Ou que parte da história tu levas a sério?












Virás como guerras gerando a morte?


Ou virás com alegrias trazendo a sorte?


Desejando, rasgando, abrindo a ferida,


Ó lembrança cruel, fazes parte da vida!









Michell Barros Maia.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

As Ironias

As Ironias













Dementes, zangadas com as monotonias,

Estúpidas, ralas são as ironias,

Que saem das bocas querendo ferir,

Pesadas, intensas, vivendo a medir.












Da língua uma arma potente a faz,


Corrosivas, devora apetite voraz.


Do estomago ácido, tu vens uma louca,


Do refluxo gástrico tu chegas à boca.














Constante, ocupada em teu enriquecer,

Pessoas, as mentes tu fazes sofrer.

Vingativa, matas com toda emoção,

Pões fogo na vida em tua livre ação.




















Viverás para sempre falando a sorrir?


Que mentes, que vidas hás de destruir?


Fumegando ideias, enchendo o falar,


Em que filosofias nos fazes pensar?


















Sendo tu instrumento do louco, do são,

Contaminas o corpo, alma, o coração,

Substância escondida que inflama o doente,

Tu és ironia ferina, veneno potente.

















            Barros Maia.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

As Palavras

As Palavras









Brilhantes, sublimes, e mui inconstantes,


Tal qual teimosia dos bons navegantes.


As palavras se adiantam aos pensamentos,


E no mar da poesia lançam seus próprios ventos.













Profanas, sacras, rudes, indissolúveis,

Anacronismos supremos dos seres volúveis.

As palavras dançam nervosas no pensar,

Na dissolução cósmica, na vida a falar.












Divertidas, perenes, roucas, sem noção,

Pensamentos ditosos feitos na emoção.

As palavras brincam na mente a sair,

E esbarram nas bocas prontas para cair.












Mas que sabedorias tu vens desnudar?

Que riqueza, primores tu podes nos dar?

Em que ares teus voos nos podem alçar?

Em que dramas teus sonhos podem estar?










Sendo o teu império construído em poemas,

Que malícias tu escondes em teus fonemas?

Tu desejas ser expressa em total efusão?

Vem, palavra querida eu te dou a razão!











Michell Barros Maia.